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Foto materia territorios do torcer

Palestra debate as relações entre "Futebol", "Memória e Patrimônio" e "Territórios do Torcer"

Por Pablo Lisboa

 

Dia 10/04 (segunda), às 15h, acontecerá a palestra "Futebol, Memória e Patrimônio & Territórios do Torcer". O local do evento será o auditório da Faculdade de Ciências Sociais da UFG, Campus Samambaia.  Estarão em Goiânia o professor da Fundação Getúlio Vargas, Bernardo Buarque de Hollanda e a Diretora de Conteúdo do Museu do Futebol de São Paulo, Daniela Alfonsi. Através da articulação do Professor Visitante da UFG, Fernando Segura Trejo, as áreas de Sociologia, Museologia e Políticas Públicas da UFG congregaram esforços para o evento que tem inscrições pela internet https://goo.gl/QYHXvK 


BERNARDO BUARQUE DE HOLLANDA
 abordará os dois projetos de pesquisa que coordena atualmente: "Futebol, memória e patrimônio" e "Territórios do torcer". Partindo da História Oral como uma fonte primária para os estudos sobre futebol brasileiro, Bernardo fará relato sobre a interação que teve com ex-jogadores da Seleção e com lideranças de torcidas organizadas em São Paulo durante a realização de sua pesquisa. "Memória e biografia são duas faces da mesma 'moeda', articuladas e construídas nos relatos orais", explica.

Na palestra, Bernardo falará da importância que os megaeventos esportivos - em particular a Copa do Mundo - tiveram para o desenvolvimento da sua pesquisa. "Foi um divisor de águas na pesquisa, uma vez que os depoimentos se deram antes e depois de 2014, quando as expectativas e o 'legado' puderam ser tanto projetados quanto aferidos", confirma.

Foto materia Bernardo Buarque de Hollanda
Bernardo Buarque de Hollanda 
Doutor em História Social da Cultura (Puc-Rio); Professor adjunto (Escola de Ciências Sociais/FGV); 
Pesquisador (CPDOC/FGV).

Início dos estudos na UFRJ - Buarque de Hollanda lembra que o interesse pelo campo de estudos do futebol se deu durante a sua passagem pela graduação em Ciências Sociais, ainda nos anos 1990, na UFRJ. Foi através da leitura de livros, participação em grupos de pesquisa e contato com dissertações nas áreas de Antropologia e Sociologia, que se deparou com a existência de uma vida acadêmica voltada ao tema do futebol. "Depois da primeira pesquisa no mestrado, sobre literatura e futebol, defendida em 2003, não mais me desvinculei da temática, que, como se diz, constitui uma 'janela' privilegiada para estudar a vida social, política, econômica e cultura do mundo contemporâneo", destaca.


DANIELA ALFONSI apresentará brevemente o que é o Museu do Futebol de São Paulo, onde atua como Diretora de Conteúdo, a partir da mostra de material audiovisual. No contexto da instituição onde atua, abordará o conceito que o gerou, com especial atenção ao fato de o Museu ter nascido de uma coleção de itens materiais. "Tal escolha abriu caminho para se pensar o futebol na chave do patrimônio intangível, como expressão cultural no Brasil", explica.

O Museu do Futebol é responsável por idealizar e colocar em prática o Centro de Referência do Futebol Brasileiro – CRFB. Alfonsi lembra que, "os projetos que serão o foco da fala de Bernardo, foram realizados nesse Centro, com o objetivo de criação de um acervo de entrevistas ao Museu". Alfonsi encerrará sua participação na palestra apresentando um panorama do acervo atual do Museu do Futebol de São Paulo que é predominantemente digital e formado a partir de pesquisas vinculadas aos temas da História Oral e da Etnografia.

 

Foto materia Daniela Alfonsi Palestra
Daniela Alfonsi 
Diretora de Contéudo (Museu do Futebol/ São Paulo); Coordenadora de Implantação (Centro de Referência do Futebol Brasileiro/ CRFB); Pesquisadora (Antropologia Social/ USP).

Museu do Futebol - Alfonsi recorda que ingressou no projeto do Museu do Futebol de São Paulo há poucos meses de sua inauguração. Sua missão foi a de formar a área de pesquisa, documentação e exposições. O trabalho de Alfonsi no Museu do Futebol teve amparo no conhecimento que a pesquisadora já tinha sobre trabalhos acadêmicos na área do futebol, em especial o do antropólogo Luiz Henrique de Toledo. Formada em Ciências Sociais e Antropologia, Alfonsi destaca que sua trajetória está atrelada a um grupo de pesquisa que também formou o Luiz Henrique de Toledo: o Núcleo de Antropologia Urbana da USP.

Pesquisa de Doutorado - Por ocasião do trabalho no Museu do Futebol, Alfonsi se aproximou também do futebol como objeto das ciências humanas e sociais. "Após quase quatro anos trabalhando na instituição, ingressei no Doutorado em Antropologia na USP, para compreender como o esporte é trabalhado nos museus", explica. A tese que Alfonsi está desenvolvendo trata da interseção entre sua carreira acadêmica e profissional. "Um lado nutre o outro", destaca.

 

FERNANDO TREJO falará sobre as políticas públicas em relação aos torcedores. "A maioria tem se focado na gestão, e inclusive na exclusão, dos grupos mais radicais, por exemplo, dos denominados hooligans na Inglaterra. Porém, existem alternativas de prevenção como Bélgica e Alemanha têm construído", destaca. Trejo explica que no continente Americano, a Colômbia tem desenhado algumas propostas que tem falhado na implementação. "A mesma coisa tem acontecido na Argentina com as famosas barras-bravas", constata.

Trejo comemora que existe hoje, muito material para estudar o assunto do futebol e existem também enfoques da sociologia do esporte para analisar o fenômeno das torcidas e das práticas dos torcedores. "Estamos ainda longe de influir na construção de políticas públicas na América Latina, pois há visões e preconceitos instalados, assim como interesses de grupos econômicos, entre eles algumas cadeias de televisão, que querem torcedores consumidores", critica Trejo. 



Foto materia Fernando Trejo Palestra
Fernando Segura Trejo
Doutor em Sociologia (EHESS/Paris, França); Pesquisador (CIDE/México) Professor visitante (UFG, Brasil).

Encontros na França e no Brasil - Em 2009, quanto ainda realizava seu doutorado na Escola de Ciências Sociais de Paris, Fernando Trejo teve o primeiro contato com Bernardo Buarque de Hollanda. "Ele estava realizando seu pós-doutorado e coincidíamos no seminário do meu orientador, Patrick Mignon", recorda Trejo. Por conta dos interesses acadêmicos, afinidade latino-americana e por morarem ambos na cidade universitária, Trejo e Buarque de Hollanda se confirmaram enquanto amigos e parceiros de estudos e pesquisa.

Um pouco antes disso, Fernando Trejo, que hoje é professor visitante da UFG, conheceu também Flávio Sofiati, hoje professor da área de Sociologia da UFG. Trejo explica que naquele momento, Sofiati fazia seu doutorado sanduíche na mesma universidade em Paris. Dos encontros e interações entre esses pesquisadores, surgiram identificações no campo da sociologia e a palestra do dia 10 é mais uma boa repercussão daqueles encontros acadêmicos em Paris. 

Trejo, há um ano na UFG, tem trabalhado tanto com o Buarque de Hollanda quanto com o Flávio Sofiati. "Primeiro vim em 2013 fazer um pós-doutorado de dois anos no CPDOC na Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro com Bernardo. Depois, por saber que a UFG, universidade de Sofiati, tinha aberto concurso para Professor visitante na Pós de Sociologia, acabei participando e fui selecionado", explica. Atualmente Fernando Trejo ministra aulas sobre a sociologia do esporte, desenvolvimento social e políticas sociais em diferentes países para utilizar ferramentas do esporte para fins sociais.

 

 

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